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Brasil aprova lei que amplia proteção a mulheres vítimas de violência — penas por crimes sexuais podem chegar a 40 anos

Com nova legislação sancionada hoje, o país endurece punições para estupro de vulnerável, estupro com morte e cria mecanismos de monitoramento e proteção às vítimas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (8) a Lei 15.280/2025, marco da legislação brasileira que revisa e endurece as regras contra crimes sexuais — especialmente aqueles praticados contra pessoas vulneráveis, como crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. A nova lei foi publicada no Diário Oficial da União e representa um dos avanços mais significativos no combate à violência de gênero e à exploração sexual dos últimos anos no país. 

Principais mudanças com a nova lei

  • As penas para estupro de vulnerável — anteriormente variando entre 8 e 15 anos — passam a variar entre 10 e 18 anos. Caso haja lesão corporal grave, a punição sobe para 12 a 24 anos. Se o crime resultar em morte, a pena poderá alcançar 20 a 40 anos de reclusão.  
  • Crimes como corrupção de menores, exploração sexual, prática de sexo na presença de crianças menores de 14 anos e descumprimento de medidas protetivas também tiveram suas penas aumentadas.  
  • Novo tipo penal para o descumprimento de medidas protetivas de urgência, com pena de 2 a 5 anos de prisão.  
  • Implementação de mecanismos de proteção: uso obrigatório de monitoramento eletrônico de agressores condenados, com alerta à vítima em caso de aproximação.  
  • Maior rigor no processo judicial, com previsão para coleta obrigatória de DNA em investigados presos e condenados por crimes sexuais — visando fortalecer investigações e prevenir impunidade.  

Reações e contexto social

A sanção da lei ocorre em um momento de comoção nacional diante de uma série de casos brutais de violência contra mulheres e crianças, que mobilizaram protestos em dezenas de cidades nos últimos dias. 

Para ativistas e representantes de organizações de mulheres, a medida é um avanço importante, mas insuficiente por si só. Elas pedem que o endurecimento das penas seja acompanhado de políticas públicas efetivas de prevenção, como programas de educação sobre gênero nas escolas, fortalecimento da rede de apoio psicológica e de assistência social, e estrutura adequada de acolhimento e proteção às vítimas. 

O presidente Lula, durante evento no âmbito da Conferência Nacional de Assistência Social, declarou que o combate ao feminicídio e à violência sexual “é tarefa dos homens”, reforçando a necessidade de mudança de mentalidade e engajamento de toda a sociedade. 

O que muda para as vítimas e para a justiça

Com a nova legislação, espera-se que vítimas de violência sexual tenham maior proteção desde o primeiro pedido de ajuda, com possibilidade de medidas imediatas — como afastamento do agressor, proibição de contato e monitoramento eletrônico — independentemente de condenação definitiva. Já no campo penal, o endurecimento das penas e a ampliação das hipóteses de prisão e de medidas de urgência visam agir como fator de dissuasão e garantir maior rigor à Justiça.

Contudo, especialistas alertam que leis mais duras por si só não bastam para reduzir os índices de violência — é essencial também investir em educação, prevenção, apoio às vítimas e combate à cultura do machismo e da discriminação.

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